FASES

Catharina Fortunato de Barros




Eu estava procurando palavras para descrever o meu momento, quando deparei com um artigo que não é bem o meu caso, mas semelhante.

As limitações chegam mais cedo do que você pensa. Tudo fica mais distante do que era antes. Nossa casa grande, agora se tornou imensa, os quartos parecem tão longe, tudo parece subida. Os poucos degraus estão mais altos do que costumeiramente e já percebi que as letras do jornal ficaram menores e cansativas... Ao lê-las, logo vou sentindo sono.

Parece um absurdo pedir para falarem mais alto. Parece-me, agora, que todos falam baixo e com palavras mal pronunciadas, as quais não conseguimos entender.

As roupas incomodam. Parecem mais apertadas e sentimos dificuldades para vesti-las. É normal enfiarmos as duas pernas numa só.

Às vezes encontramos pessoas amigas, e ficamos tentando reconhecer aquela fisionomia e o mesmo deve acontecer com os outros que nos vêem.

Eu me pus a pensar nessas coisas, nesse período ocioso que atravesso com uma crise de artrose, impossibilitada de caminhar normalmente.

Espero em Deus vencer essa etapa, para não acreditar que a velhice chega mais rápido do que se pensa.

O certo é diminuir a marcha, sem deixar o carro parar...

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