LIBERTANDO A POESIA

Bêne Barichello





Noite afora, a madrugada chega, libertando a poesia para amparar minha inquietação. Há um revezamento dentro de mim. Às vezes é uma descida íngreme, outras há mãos, que me sustentam atadas com graça e doçura, estimulando-me a seguir equilibrando-me na vida.

Por que será que ela, a Poesia, lembra saudade, desencanto, como orações repetidas?

O meu ser-poeta ainda é tão puro! Vê estrelas cadentes quando visitam a terra, ainda vê encanto em crianças que cabulam às aulas, lembra com carinho e alegria de alguém ao sentir um perfume, sorri com a chuva tilintando pelas calçadas como a cochichar baixinho que ouve namorados aos beijos silenciosos.

Visto meus olhos com tudo que gostariam de ver, até um mundo irreal, tentando talvez acalentar tantos corações vazios de amor, jardins sem flores, noites sem estrelas e sem brilho de luar.
Ah, Poesia, liberta dentro de mim! Deixa-me recostar no meu peito, que de mansinho me ajeito esperando a noite passar!

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